Paic 10 anos: seminário avalia conquistas e desafios da educação cearense

23 de junho de 2017 - 11:39

 Nesta quarta-feira (21), terceiro dia de comemorações aos 10 anos do Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic), a Secretaria da Educação (Seduc) promoveu o seminário “Um regime de colaboração com foco na aprendizagem”, analisando os avanços educacionais obtidos por intermédio da iniciativa, e os desafios previstos para os próximos anos. O encontro reuniu cerca de 1.600 pessoas, entre gestores educacionais dos municípios cearenses, diretores, coordenadores e professores de unidades de ensino, além de técnicos da Seduc, no Centro de Eventos do Ceará. A vice-governadora Izolda Cela e o secretário Idilvan Alencar participaram do momento.

 

Na visão de Izolda, então secretária da Educação no ano de 2007, o Ceará vem mostrando ser capaz de gerar transformação. “Isso nos anima e encoraja. Não significa que estejamos numa situação confortável, porque temos grandes desafios ainda, como a garantia da melhoria dos jovens adolescentes do 6º ao 9º ano. Nosso esforço de melhorar a base educacional é também uma ação de prevenção de mazelas sociais, que afetam principalmente a juventude”, observa a vice-governadora.

 

Como explica Idilvan, a ideia do evento foi propor uma reflexão a respeito do programa, além de reforçar a integração entre Estado e Municípios. “No meio das festas, temos um espaço para refletir, passar o dia inteiro discutindo, analisando o que aconteceu e o que está por vir. Temos muitos secretários municipais novos, que recém assumiram os cargos, e é importante que eles se engajem cada vez mais na iniciativa, entendendo a importância do Paic para o Estado do Ceará”, frisa.

 

A secretária adjunta da Educação, Marcia Campos, entende que os bons resultados alcançados até aqui dão motivação para os próximos desafios. “Espero que esses momentos nos fortaleçam, e voltemos com garra aos nossos municípios, com mais inspiração e vontade de lutar, para que continuemos sendo vitoriosos nessa tarefa de educar bem as nossas crianças. 80% dos nossos meninos e meninas estão na escola pública, então, cuidar delas é cuidar dos cearenses, da prosperidade do nosso povo”, aponta.
 

 

Equidade

DSC 0397O consultor legislativo e ex-secretário da Educação, Maurício Holanda, avalia que os resultados positivos se devem ao trabalho em equipe. Na visão dele, é preciso dar atenção especial às crianças que ainda não chegaram ao nivel desejável de proficiência. “Não podemos esquecer que permanecem cerca de 3% a 5% de crianças nas listas de não alfabetizada, ou com alfabetização incompleta. Elas também têm o direito de aprender a ler e a escrever, pois isso é uma chave no seu processo de emancipação enquanto cidadãs. Temos, ainda, 10% de crianças no nível intermediário, e é preciso que se cuide delas, para que no 3º ano consolidem os conhecimentos. Os avanços precisam ser comemorados, e já podemos enfrentar esse desafio com mais tangibilidade. A consequência de uma tarefa de casa bem feita, é receber outra tarefa, mais difícil, para instigar o desenvolvimento”, acrescenta.

Rui Aguiar, coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para o Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, destaca o avanço educacional que o Paic promoveu em um espaço de tempo considerado curto. “Foi difícil convencer a tanta gente que este conceito é válido. A alfabetização acontece ao longo da vida, mas o que estava acontecendo em 2004 era um escândalo. Só 42% das crianças estavam aprendendo a ler e a escrever. O Ceará está levando este desafio a sério, e nos alegra muito que o programa não tenha autoria, pois ninguém pode dizer que é padrinho do Paic, que foi construído coletivamente. Comemoramos a saída do século XIX no Ceará, vencendo o desafio da alfabetização das crianças”, ressalta.

 

A deputada estadual Dra. Silvana, presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Ceará, esteve presente na abertura do seminário e enalteceu o trabalho conjunto que foi desenvolvido para o sucesso do Programa. “Enquanto o Brasil passa por vexames na política neste momento, o Ceará está fazendo bonito, brilhando com a educação que os professores estão dando às nossas crianças.

Parceria

Aléssio Lima, presidente nacional da Undime, atribui o sucesso do Paic ao investimento em diversas frentes de trabalho. “Apesar de todas as dificuldades e desafios do dia a dia, abraçamos esta bandeira por entender que a educação é um direito de toda criança. O resultado dessa política veio por estar alicerçada em cinco eixos: valorização da educação infantil, desenvolvimento da literatura, gestão, formação e avaliação”, considera.

 

O prefeito do município de Irapuan Pinheiro, Claudemir Pinheiro, que participou do seminário representando a Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), reconhece a iniciativa do Governo do Estado, de congregar todas as prefeituras em nome de um mesmo ideal. O Paic levou o nome desse Estado para o restante do País. Nós, enquanto prefeitos, sabemos a importância disso, reconhecendo o quanto as nossas crianças e adolescentes evoluíram, em termos de educação, na última década”, salienta.
 

 

Sonhos

DSC 0336O jovem Luiz Fernando Gomes, de 12 anos, que frequenta a Escola Eduardo Alves, no município de Eusébio, foi diretamente favorecido pela política do Programa, e acredita que a fluência na leitura e na escrita lhe dará suporte na profissão que deseja seguir, de ser ator. “A leitura fez com que eu melhorasse a dicção e aprendesse palavras novas, podendo dialogar melhor com as pessoas. É essencial para tudo”, diz o estudante.

Também beneficiado pelo Paic, o adolescente Matheus Alves Gabriel, de 15 anos, matriculado na Escola Luís Felipe, em Sobral, considera a boa alfabetização “uma chave que permite abrir várias portas. Adquirimos conhecimentos, sonhos e forças para conquistar esses sonhos. Nos tornamos mais humanos, com senso crítico. Sou o que sou, graças aos livros”, reconhece.

 

Trajetórias

Durante o seminário, foram expostas experiências relevantes de redes municipais cearenses, que obtiveram resultados positivos crescentes nos últimos anos. É o caso de Fortaleza, que implementou uma nova cultura de aprendizagem na maior rede do Estado; Sobral, que há 20 anos vem dando continuidade a uma política de gestão por meritocracia; Jijoca de Jericoacoara, que obteve o o maior Índice de Desempenho Escolar (IDE-9) em 2016; Ararendá, que conseguiu o meior crescimento do IDE-5 e do IDE-9 em 2016; e Cariré, que conseguiu o maior IDE-Alfa e IDE-5 em 2016.

 

Herbert Lima, secretário de Educação de Sobral, lembra que a priorização sobre a alfabetização teve início em 1997, com a reestruturação na política educacional no município. “Buscamos o fortalecimento da gestão escolar, com seleções feitas em processos técnicos e meritocráticos”, explica. O município dispõe, ainda, da Escola de Formação Permanente do Magistério e Gestão Educacional.

 

Lucidalva Bacelar, coordenadora de Gestão Escolar da Secretaria de Educação de Fortaleza, analisa como o Município estava em 2012, e como está hoje, lembrando que a Capital tem a 4ª maior matrícula do Brasil, com 197 mil alunos, segundo o Censo escolar de 2016. “Havia ausência de calendário escolar unificado, consequência de 300 dias de greve. Os indicadores do Spaece-alfa estavam em declínio. Os gestores eram escolhidos sem critérios definidos, e a lotação de professores era desorganizada, entre outros aspectos. Havia falta de credibilidade perante a sociedade, o que gerava baixa autoestima entre os profissionais”, aponta.

 

“A reversão desse quadro se deu implantando estratégias, como a unificação do calendário escolar, a seleção pública para a eleição de diretores escolares e coordenadores de distritos. Foi implantada a Lei da gestão democrática e participativa; a mediação escolar e da cultura de paz. Entre os resultados, destaca-se o aumento do número de escolas alfabetizando na idade certa: de 20, em 2012, para 195, atualmente”, comemora Lucidalva.

 

Em comum, os cinco municípios destaque se baseiam em ações como a valorização do magistério, a formação permanente de professores, investimentos nas estruturas físicas das escolas, fortalecimento da educação infantil, reforço no transporte e na merenda escolar, entre outras iniciativas.

 

Perspectivas

DSC 0241Sobre os desafios do ensino fundamental, a professora Hilda Micarelo, do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), atenta que a leitura e a escrita são habilidades primordiais, que são base para outros aprendizados. “É um grande orgulho poder estar aqui e falar o quanto esse horizonte ainda nos desafia, e o quanto ainda precisamos caminhar. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, como afirma Paulo Freire. Mas, é verdade que a leitura da palavra fornece lentes poderosas para ler o mundo. Assim segue o Paic, na busca de que todos os estudantes cearenses tenham acesso a esse vasto universo”, observa.

Idilvan Alencar encerrou o seminário anunciando que o Governo do Estado financiará formações para gestores de creches nos 184 municípios cearenses, sendo 36 já no próximo mês de julho, e os demais, em agosto.

 

22.06.2017
Assessoria de Comunicação da Seduc
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